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PARTO DOMICILIAR PLANEJADO

uma assistência integral ao parto e nascimento ~

 

SAIBA MAIS SOBRE O PARTO DOMICILIAR:

 
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O atendimento do trabalho de parto, parto e pós parto em domicílio é possível para o que chamamos de gestantes de risco habitual.

Parir em casa, para além das evidências sobre a segurança, é também uma escolha singular pelo processo vivido no ambiente conhecido, com coisas escolhidas por quem vai parir; a familiaridade do espaço pode favorecer o desenrolar do processo de parturição! 


A equipe do Coletivo MAÍN acompanhará todo processo, dando apoio e suporte nesse momento único! E durante todo esse processo, pode estar acompanhada de pessoas a sua escolha, deixar o ambiente acolhedor, com comidas e bebidas da sua preferência - como café fresquinho e todo amor presente em forma de cheiro, gosto, presença, cuidado. 

Os materiais necessários para assistência desde durante o trabalho de parto até nos momentos que se seguem após o nascimento são disponibilizados pela equipe de Obstetrizes. Para saber mais, oferecemos acolhimento virtual gratuito de até 30 minutos para explicar sobre o funcionamento desse modelo de assistência. O pré-natal também deve acontecer com a nossa equipe (pode ser concomitante à avaliação médica bem como de outros profissionais que podem entrar nesse modelo de cuidado como fisioterapeuta pélvica, nutricionista, doula). Dessa forma o vínculo se fortalece para que possamos estreitar nossas relações de cuidado. A escolha de um parto extra hospitalar necessita que seja informada e ocorra a partilha das responsabilidades entre equipe e família. Essas conversas acontecem durante nossos atendimentos de pré-natal em clínica (atendemos em Sorocaba e São Paulo). Com 36 semanas realizamos uma consulta em domicílio para que possamos conhecer o trajeto e o funcionamento do local. O parto em casa pode acontecer entre 37 semanas e 41 semanas e 5 dias. 


Ainda há muitos tabus acerca do tema Parto. Existem muitas visões e atravessamentos quando falamos sobre parir e nascer. Pois bem, a ideia é que aqui coloquemos um pouco sobre nascer em casa. Historicamente, mulheres e pessoas com útero pariram em ambiente extra hospitalar. Isso geralmente acontecia com assistência de parteiras que eram pessoas da própria comunidade. A entrada de homens no cenário do parto e da medicina trouxe uma mudança imensa na forma como se enxerga o nascimento. Importante entendermos este contexto porque muitas das intervenções vieram justamente dessa mudança no cenário do parto e da assistência à mulher e à família. Por longos anos, as intervenções não eram baseadas em evidências científicas para avaliar se de fato ali havia maior benefício ou risco quando aplicadas. Mesmo assim, diariamente muitos corpos foram submetidos a isso e passou-se a entender como algo esperado e normal. Algumas intervenções foram crescentes com as intervenções desmedidas, por exemplo, a cesárea. E aí é que tá! Cesárea quando bem indicada é uma intervenção excepcional que salva vidas de fato. Agora quando a porcentagem dessa cirurgia é maior do que se propõe a Organização Mundial de Saúde (15%) temos então mais danos causados do que benefício,  inclusive um aumento da mortalidade materna. 

Tudo isso pra dizer que nascer em casa se tornou cada vez mais raro. E ainda hoje causa muito espanto e indignação social, afinal, se no hospital é mais seguro, por que escolher ter bebê em outro local? 

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O ambiente hospitalar tem de fato maior recurso tecnológico. E para pessoas que tenham aumento no risco detectado durante o acompanhamento pré-natal, ter seus bebês no hospital é sim a escolha mais assertiva. Mas para as pessoas que façam um bom acompanhamento pré-natal e tenham uma gestação de risco habitual, o parto em casa pode ser uma opção segura quando bem assistido. Existem ainda muitos locais no Brasil, onde a assistência é extra-hospitalar pelo paradoxo do difícil acesso. Isso é muito diferente de quem escolhe e planeja um parto em casa com profissionais técnicas capacitadas e aptas para dar esse seguimento de cuidado. Em alguns países, o parto em casa é uma opção dentro do sistema de saúde. Parteiras são profissionais habilitadas para avaliar o risco na gestação, no parto e no puerpério. Não temos como, eticamente falando, separar grupo de pessoas para um estudo cego e colher os resultados depois disso. Então não teremos evidência de comparação da segurança quando comparamos ambientes. Porém, deixaremos abaixo grandes revisões de desfechos de partos em domicílios.


Não há possibilidade de realização de forma ética de um estudo randomizado para determinar a segurança de partos domiciliares quando comparados com partos hospitalares. Isso porque não pode de forma alguma ser uma escolha realizada por terceiros, o parto extra-hospitalar deve partir de um desejo e informação da família e não de profissionais ou pesquisadores da área.

Dessa forma, o que podemos ter de evidência científica sobre parto domiciliar em comparação com parto hospitalar são alguns estudos que analisam os desfechos após os nascimentos. Um grande estudo publicado na Holanda no ano de 2009 compara um total de 529.688 partos e demonstra que parto domiciliar planejado em gestação de risco habitual NÃO é menos seguro que parto hospitalar. 


Um outro estudo de coorte holandês que compara mais de 679 mil partos demonstra mortalidade perinatal em partos hospitalares planejados de 0,18% contra 0,15% em partos domiciliares planejados, ambos em gestações de risco habitual. Não há uma diferença na mortalidade dependendo do local de parto quando se considera uma boa assistência técnica qualificada e certificada. Além desses, um estudo do Reino Unido publicado em 2011 que verifica o desfecho de 60 mil partos e demonstra que os resultados suportam a política de oferecimento de partos domiciliares para quem desejar no caso de mulheres saudáveis com gestação de risco habitual. No caso de mulheres multíparas (mulheres que já tiveram um ou mais partos anteriores) que planejavam PD experienciam partos com menor quantidade de intervenções quando comparadas às mulheres que planejaram e tiveram partos hospitalares. Quando comparamos as primíparas também há evidência de partos com menos intervenções, contudo os resultados perinatais são menos favoráveis. 


Em 2012, uma revisão da literatura que envolveu 22 grandes estudos observacionais que compararam desfechos perinatais de partos ocorridos em casa, casa de parto e centros de parto normal assistidos por profissionais certificados não médicos com partos hospitalares planejados demonstra que mulheres atendidas em ambientes extra-hospitalares têm menor quantidade de intervenções do que as mulheres que têm seus partos em hospitais. Não há diferença significativa na taxa de morbimortalidade entre os grupos. Em mais um estudo de coorte que comparou 146.752 parturientes de baixo risco, aproximadamente 62,9% tiveram parto domiciliar planejado enquanto as demais (37,1%) tiveram parto hospitalar planejado. As mulheres que tiveram parto domiciliar planejado (PDP) tiveram menor índice de morbidade materna grave, hemorragia pós parto e remoção placentária, a diferença para multíparas foi ainda mais significativa,embora nos dois casos o índice tenha sido bastante baixo, aproximadamente 0,2%. Neste estudo, a conclusão foi de que não há diferença nos riscos para gestantes de baixo risco em partos hospitalares planejados e PD planejados e atendidos por profissionais capacitadas.

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Em 2013, um estudo americano comparou os dados de 14 milhões de nascimentos entre os anos de 2007 - 2010 para comparar desfechos em partos hospitalares e domiciliares, observando apenas casos com escores de APGAR 0 no quinto minuto da declaração de nascimento. Não foram diferenciados neste estudo os desfechos de óbito fetal, perinatal,  intraparto ou neonatal precoce e tardio. Também não diferenciaram casos com má formações fetais. As conclusões deste artigo foram de que em partos domiciliares há 10 vezes mais chance de ter um APGAR 0 no quinto minuto quando comparados aos partos hospitalares. A taxa e APGAR 0 no quinto minuto em partos domiciliares foi de 0,16%.


Há outra pesquisa americana publicada no ano de 2014 que inclui 16.924 que planejavam um PD. Dessas 89,1% conseguiram seus partos em domicílio. 1054 mulheres tinham cesárea anterior e 85% dessas conseguiram seus partos normais após a cesárea (PNAC). 1,5% dos recém nascidos tiveram APGAR abaixo de 7. O índice de transferência materna no pós parto foi de 1,5%. A taxa de morte foi de 0,13%, a morte neonatal precoce foi de 0,04% e tardia e 0,035%. Portanto, as conclusões foram de que as gestantes de risco habitual que planejaram ter seus PDs têm grande taxa de partos normais com menor uso de intervenções obstétricas e sem aumento nos desfechos adversos, corroborando os estudos anteriores.


No Brasil, cerca de 98% dos nascimentos ocorrem em instituições, a taxa de cesárea segue acima de 50%. Em 2013 a pesquisa Nascer no Brasil pontua a taxa de cesáreas em 56%. Com o modelo vigente de atenção ao parto há um crescente movimento de mulheres em busca de partos mais saudáveis e também satisfatórios. Aqui pontuamos a opção de partos em casa assistidos por Obstetrizes ou outros profissionais capacitados e treinados para. O Coletivo Maín atende tanto na região de Sorocaba quanto em São Paulo. Para tanto, oferecemos um acolhimento virtual de até 30 minutos para tirarmos dúvidas sobre assistência além de atendimento de consultas de pré natal. Sendo de fato uma gestação apta para que a escolha de parto seja em casa, atendemos o trabalho de parto seguindo o modelo de cuidado com ausculta dos batimentos cardíacos fetais a cada 30 minutos em fase ativa e 5 minutos durante expulsivo. Cada história é única e o atendimento se dá especificamente para cada família. O pós parto também segue com atenção e cuidado e envolve 2 consultas de acompanhamento. 

O desejo por um parto extra hospitalar envolve muitos atravessamentos especialmente a vontade por um nascimento com menor chance de intervenções farmacológicas e dinâmicas institucionais. Quando a pessoa busca um parto em que possa ter mais manutenção do ambiente, como ela espera viver isso de forma segura e não negligenciada articulado à assistência técnica preparada com material necessário e bom treinamento, faz com que parto em casa possa se construir adequadamente.

Referências:

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  • Van der Kooy, J; Poeran, J; de Graaf, JP; Birnie, E; Desnktass, S; Steegers, EAP; Bonsel, GJ. Planned home compared with planned hospital births in the Netherlands: interpartum and early neonatal death in low-risk pregnancies. (Internet). Obstetrics and gynecology 2011 Nov:118(5):1037-46.

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  •  Cheuney, M; Bovbjerg, M; Everson, C; Gordon, W; Hannibal, D; Vedam, S. Outcomes of care for 16.924 planned home births in USA: the Midwives Alliance of North America Statistics Project, 2004 to 2009. J Midwifery Womens Health 2014; 59 (1): 17-27.

  • Vasconcellos, M; Silva, M T L D; Pereira, P L D N; Schilithz, A O C; Souza Júnior, P R B D; Szwarewald, C L. Desenho da amostra Nascer no Brasil: Pesquisa Nacional sobre Parto e Nascimento, 2014. Cad. saúde pública, 30 (supl. 1), S49-S58.